Planejamento

Como planejar uma aula com a taxonomia de Bloom.

A taxonomia de Bloom organiza o que um aluno pode fazer com um conteúdo, desde lembrá-lo até criar algo novo com ele. Usá-la para planejar ajuda a escrever objetivos claros, escolher atividades que realmente os trabalhem e avaliar exatamente o que você ensinou.

8 min de leitura Atualizado em
Neste guia
  1. O que é a taxonomia de Bloom?
  2. Como planejar uma aula com Bloom em 5 passos
  3. Exemplo: uma aula de 45 minutos sobre o ciclo da água
  4. Erros comuns

Em 30 segundos

  • 01A taxonomia de Bloom organiza o pensamento em seis níveis, de lembrar a criar.
  • 02Todo objetivo de aula deve começar com um verbo observável.
  • 03A atividade e a avaliação precisam pedir o mesmo nível que o objetivo.

01O que é a taxonomia de Bloom?

É uma classificação dos processos de pensamento, proposta por Benjamin Bloom em 1956 e revisada em 2001 por Lorin Anderson e David Krathwohl. A versão revisada, que é a usada hoje, tem seis níveis que vão do mais simples ao mais complexo. Cada nível é expresso com verbos que descrevem algo que o aluno faz e que você pode observar.

NívelO que o aluno fazVerbos úteis
1. LembrarReconhece ou recupera informações.Definir, listar, identificar, nomear
2. EntenderExplica as ideias com as próprias palavras.Explicar, resumir, parafrasear, dar exemplos
3. AplicarUsa o que aprendeu em uma situação concreta.Resolver, calcular, usar, demonstrar
4. AnalisarSepara as partes e percebe como se relacionam.Comparar, distinguir, organizar, relacionar
5. AvaliarJulga com critérios e defende o seu julgamento.Argumentar, justificar, avaliar, criticar
6. CriarCombina o que aprendeu para produzir algo novo.Elaborar, propor, compor, projetar
Os seis níveis da taxonomia de Bloom revisada.
6Criar
5Avaliar
4Analisar
3Aplicar
2Entender
1Lembrar
Os seis níveis da taxonomia de Bloom revisada, do mais simples ao mais complexo.

02Como planejar uma aula com Bloom em 5 passos

  1. Defina o que os alunos devem alcançar ao fim da aula

    Escreva o objetivo com um verbo observável. “Que entendam frações” não pode ser verificado; “que expliquem por que duas frações são equivalentes”, sim.

  2. Escolha o nível adequado para esta aula

    Nem toda aula precisa chegar a “criar”. Se o tema é novo, o razoável é começar por entender e aplicar, e subir de nível nas aulas seguintes.

  3. Planeje atividades que combinem com o verbo

    Se o objetivo é “comparar”, a atividade deve pedir que comparem, não que copiem uma definição. É aqui que a maioria dos planejamentos falha: o objetivo diz uma coisa e a atividade trabalha outra.

  4. Avalie no mesmo nível

    Se você ensinou a analisar, não avalie apenas com perguntas de memória. A pergunta, o exercício ou a rubrica devem pedir o mesmo tipo de pensamento que o objetivo.

  5. Suba de nível ao longo da sequência

    Pense em várias aulas como uma escada: lembrar e entender no começo, aplicar e analisar no meio, avaliar e criar no fim do tema.

Se o objetivo diz “analisar” e a prova pede “lembrar”, o aluno aprende a decorar, não a pensar.

03Exemplo: uma aula de 45 minutos sobre o ciclo da água

Ciências, anos finais do ensino fundamental I. Objetivo da aula: que os alunos expliquem as etapas do ciclo da água e as relacionem com fenômenos que observam no dia a dia.

  • Abertura, 5 minutos (lembrar). Tempestade de ideias: o que acontece com a água de uma poça quando o sol aparece? As palavras que surgem são anotadas na lousa.
  • Desenvolvimento, 20 minutos (entender). Com um esquema do ciclo, os alunos explicam cada etapa em duplas, com suas palavras: evaporação, condensação, precipitação e escoamento.
  • Prática, 15 minutos (aplicar e analisar). Cada dupla recebe três situações (um copo gelado que “sua”, a neblina da manhã, a roupa secando ao sol) e as relaciona com a etapa correspondente, justificando a resposta.
  • Fechamento, 5 minutos (avaliar). Pergunta de saída: “Se em um dia não houvesse evaporação, qual etapa deixaria de acontecer e por quê?”

04Erros comuns

  • Verbos que não podem ser observados. “Entender”, “conhecer” ou “aprender” não dizem o que o aluno vai fazer. Troque-os por verbos da tabela.
  • Ficar sempre nos primeiros níveis. Se todas as aulas pedem para lembrar, os alunos memorizam, mas não aprendem a pensar com o que sabem.
  • Objetivos que não combinam com a avaliação. Ensinar a argumentar e avaliar com questões de verdadeiro ou falso confunde o aluno e não mede o que ele trabalhou.
  • Objetivos demais em uma só aula. Um ou dois bem trabalhados valem mais do que cinco tratados por cima.

Perguntas frequentes

É preciso seguir os níveis em ordem?

Não de forma rígida. Os níveis mais altos costumam se apoiar nos mais baixos, mas uma boa atividade pode combinar vários ao mesmo tempo. A ordem serve principalmente como guia para planejar uma sequência de aulas.

Quantos objetivos convém ter em uma aula?

Um ou dois, no máximo três. Com mais, fica difícil trabalhá-los a fundo e verificar no final se foram alcançados.

O que mudou na revisão de 2001?

Os níveis passaram a ser nomeados com verbos em vez de substantivos, e “criar” passou a ocupar o nível mais alto, acima de “avaliar”. É a versão mais usada hoje.

Serve para qualquer nível de ensino?

Sim. É usada do ensino fundamental à universidade e na educação de adultos. O que muda é a complexidade do conteúdo, não a lógica dos níveis.

Coloque em prática o que você acabou de ler

Crie sua sala de aula virtual grátis e experimente as ferramentas de IA com os créditos do plano gratuito.

Plano gratuito com 5 créditos de IA por mês. Sem cartão.