Johannes Vermeer, c. 1664. Mulher segurando uma balança. Domínio público.

Avaliação

Como fazer uma rubrica de avaliação, passo a passo.

Uma rubrica é uma tabela que define o que você vai avaliar e como é cada nível de desempenho. Bem feita, ela economiza tempo na correção, deixa suas notas mais justas e mostra ao aluno o que se espera dele antes mesmo de começar.

7 min de leituraAtualizado em

Neste artigo
  1. O que é uma rubrica?
  2. Como fazer uma rubrica em 6 passos
  3. Exemplo: rubrica para uma redação argumentativa
  4. Erros comuns ao fazer uma rubrica

Em 30 segundos

  • 01Uma rubrica define o que você avalia e como é cada nível de desempenho.
  • 02Funciona melhor com três a seis critérios e quatro níveis descritos com fatos observáveis.
  • 03Compartilhe antes da atividade: assim ela ensina, além de avaliar.

01O que é uma rubrica?

Uma rubrica combina duas coisas: os critérios, que são os aspectos que você vai avaliar (por exemplo, a tese ou a ortografia de uma redação), e os níveis de desempenho, que descrevem como é cada critério quando o trabalho é excelente, bom, satisfatório ou insuficiente.

Existem dois tipos principais:

  • Analítica: avalia cada critério separadamente. É a mais útil para dar devolutivas, porque o aluno vê exatamente o que precisa melhorar.
  • Holística: dá uma única avaliação global do trabalho. É mais rápida de aplicar, mas explica menos.

Este artigo trata da rubrica analítica, a mais usada em sala de aula.

1Insuficiente
2Satisfatório
3Bom
4Excelente
Os quatro níveis de desempenho da rubrica de exemplo.

02Como fazer uma rubrica em 6 passos

  1. Parta do objetivo de aprendizagem

    Antes de pensar na tabela, pergunte-se o que o aluno deve demonstrar com esta atividade. Se o objetivo é “argumentar com evidências”, esse é o centro da rubrica; o resto é secundário.

  2. Escolha entre três e seis critérios

    Cada critério deve avaliar uma única coisa e não se sobrepor aos demais. Com menos de três, a rubrica diz pouco; com mais de seis, fica difícil de aplicar e de entender.

  3. Defina os níveis de desempenho

    Quatro níveis costumam funcionar melhor: excelente, bom, satisfatório e insuficiente. Um número par evita o nível intermediário “de refúgio” e obriga você a decidir se o trabalho está acima ou abaixo do esperado.

  4. Descreva cada nível com comportamentos observáveis

    Este é o passo mais importante. Evite adjetivos vagos como “bom” ou “adequado” e descreva o que se vê no trabalho. Em vez de “boa argumentação”, escreva “cada argumento se apoia em pelo menos uma fonte pertinente”.

  5. Atribua pontos ou pesos

    Decida quanto vale cada nível e se algum critério pesa mais do que outro. Se a atividade é sobre argumentar, a argumentação pode valer o dobro da ortografia.

  6. Teste e compartilhe antes da atividade

    Aplique a rubrica a um ou dois trabalhos de exemplo para conferir se ela distingue bem os níveis. Depois, entregue-a aos alunos junto com o enunciado: assim eles sabem desde o início o que se espera.

Uma boa rubrica não se escreve para justificar a nota. Escreve-se para que o aluno saiba, desde o primeiro dia, como é um trabalho excelente.

03Exemplo: rubrica para uma redação argumentativa

Esta rubrica analítica, pensada para o ensino médio, avalia quatro critérios com quatro níveis cada:

CritérioExcelente (4)Bom (3)Satisfatório (2)Insuficiente (1)
TeseApresenta na introdução uma tese clara, original e defensável.Apresenta uma tese clara, embora pouco original.A tese aparece, mas é vaga ou precisa ser deduzida.Não há tese identificável.
Argumentos e evidênciasCada argumento se apoia em evidências pertinentes e bem citadas.A maioria dos argumentos tem evidências adequadas.As evidências são escassas ou pouco ligadas à tese.Afirma sem apresentar evidências.
EstruturaIntrodução, desenvolvimento e conclusão se ligam com transições claras.A estrutura é clara, com algum salto brusco.As partes existem, mas a ordem às vezes confunde.Não se distingue uma estrutura.
Escrita e ortografiaSem erros, com vocabulário preciso e variado.Poucos erros, que não afetam a compreensão.Erros frequentes que às vezes dificultam a leitura.Os erros impedem a compreensão do texto.
Exemplo de rubrica analítica. Pontuação máxima: 16 pontos.

04Erros comuns ao fazer uma rubrica

  • Critérios que se sobrepõem. Se “coerência” e “estrutura” medem a mesma coisa, o aluno perde pontos duas vezes pelo mesmo erro.
  • Descritores vagos. “Muito bom”, “bom” e “regular” não explicam nada. Cada nível deve poder ser reconhecido ao ler o trabalho.
  • Critérios demais. Uma rubrica de doze linhas para uma atividade curta é difícil de aplicar e sobrecarrega o aluno.
  • Entregá-la depois da atividade. Uma rubrica que o aluno só vê junto com a nota serve para justificar, não para aprender.

Perguntas frequentes

O que os professores mais perguntam.

Quantos critérios uma rubrica deve ter?

Entre três e seis é o mais comum. Menos de três dá pouca informação ao aluno, e mais de seis torna a rubrica difícil de aplicar com rapidez e coerência.

Quantos níveis de desempenho devo usar?

Quatro níveis funcionam bem na maioria dos casos. Um número par evita o nível intermediário neutro e obriga a decidir se o trabalho atende ou não ao esperado.

É melhor uma rubrica analítica ou holística?

A analítica, se você quer dar devolutivas detalhadas, porque mostra em qual critério melhorar. A holística serve quando é preciso avaliar muitos trabalhos rapidamente e basta uma nota global.

Devo compartilhar a rubrica com os alunos?

Sim, e antes de começarem a atividade. Conhecer os critérios com antecedência ajuda a orientar o trabalho e torna a nota mais fácil de entender e de aceitar.

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